Hoje vamos glorificar ao testemunho do nosso amigo Ciro, que alegria ver o que Deus fez em sua vida e no seu casamento. Eu acompanhei sua caminhada, suas orações e a sua decisão corajosa de lutar pela restauração quando tudo parecia difícil. É um testemunho que mostra que, quando colocamos Deus no centro e confiamos verdadeiramente, Ele age de maneiras que vão além do que podemos imaginar.
Ciro que esse milagre seja apenas o começo de uma nova fase cheia de amor, respeito e cumplicidade. Que vocês continuem firmes na fé, cultivando diariamente aquilo que Deus restaurou com tanto cuidado. Sua história inspira e fortalece todos ao seu redor — é prova viva de que Deus transforma, cura e renova. Espero que seu testemunho sirva de exemplo para os que ainda estão buscando pela restauração. Deus abençoe!"
Sol
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Olá, me chamo Ciro e eu estou devendo um testemunho meu aqui. E poxa, como é difícil escrever. Porque quem passa por tudo o que passamos quer se encontrar na história daquele que graças a Deus superou e hoje vive melhor que antes. Mas muitos detalhes podem cansar aos colegas, e por isso vou relatar de forma resumida.
No dia 17/08/25 a minha mulher sai de casa disposta a não voltar mais.
Ela é doutrinada na religião espírita. Eu não era doutrinado em nenhuma religião até uma semana antes dela sair de casa, quando ela mesma, preocupada que eu estava desorientado espiritualmente, me levou a uma igreja católica a qual eu senti o meu pertencimento.
O que há de se dizer desse testemunho é uma confirmação do que muito se fala, mas só depois de muito tempo que se compreende com profundidade: Deus não restaura o casamento de ninguém. Ele restaura as pessoas. E é claro que no começo eu não queria entender isso. Tinha pressa de tê-la de volta, que ela se arrependesse, que ela enxergasse que ela estava errada. Queria que Deus mostrasse a ela que eu era a pessoa certa apesar de ter cometido alguns erros. Demorei um tempo para perceber que não era sobre o que eu queria que fosse feito com ela. Um tempo doloroso, por sinal.
Algumas semanas depois eu ingressei em alguns cursos de restauração de casamentos e todos eles com uma entonação cristã de cumprimento aos mandamentos bíblicos. Não percebia que a partir deles eu já estava sendo levemente direcionado pelo Espírito Santo a ME restaurar.
Foi quando no final de outubro eu entrei no deserto. É estranho falar agora sobre quando eu “entrei”, porque enquanto eu estava lá, não percebia que havia entrado. Só depois que “saí” é que compreendi o que havia acontecido. Como entrei? Com a notícia de que ela estava em um novo relacionamento com outro homem.
Soube que ela estava saindo com alguém por uma parente dela e soube dias depois por ela mesma que ela começou a namorar. Sobre mim? A garganta prendia um grito que não importasse quão forte eu pudesse gritar, ele não seria o bastante para amenizar a dor. É verdade que num dos cursos de restauração eu já havia inclusive “aprendido” sobre como lidar com essa situação sem me estremecer. Mas a prática é totalmente diferente da teoria.
Orava por horas num canto encolhido no meu quarto chorando e pedindo para Deus que tirasse de mim a vida se não pudesse tirar de mim a dor. Eu ignorava o fato de que eu tinha um filho extraordinário, uma criança que Ele colocou na minha vida e que tamanha era a minha dor (ou o meu egoísmo – agora posso dizer isso) que eu colocava isso a frente dele. Foi um estalo curioso que me fez agir de forma diferente do que eu agia. Não escolhi mudar, e quero deixar isso muito claro pois hoje sei que foi Ele Quem me direcionou.
Durante todo esse processo, eu evitava o máximo saber da vida dela. Já era um pesadelo imaginar que ela estava com outra pessoa. Imagine se eu desse forma para minha imaginação. Então se eu puder dar um conselho para vc que está procurando reconectar com seu cônjuge, evite saber dela nesse processo. Confie que ela também está Sendo Cuidada – Deus ama o seu cônjuge como Ele ama você. E esse conselho talvez não seja mais importante do que esse que darei agora: Entenda isso de uma vez: a outra pessoa que entrou num outro relacionamento não aposta mais no seu. Não quer mais acreditar que possa haver mudanças para melhorar a vida de vcs como um casal e não se sente nem confortável em estar na sua presença muitas vezes.
Aceitar isso é compreender que essa fase também faz parte do processo – não do seu, mas do da outra pessoa. Deus vai trabalhar ambos, cada um nas suas necessidades, e não quer dizer que porque um entrou no deserto o outro também entrou. Temos tempos e vidas diferentes.
E foi caindo nessa real que eu comecei uma saga com uma meta que para mim foi muito importante: Eu roncava. Muito. Eu estava muito acima do peso de uma pessoa normal, com grau de obesidade nível bariátrico. E para que eu e ela pudéssemos dormir juntos, eu usava um aparelho respiratório chamado C-PAP que ventilava ar enquanto eu dormia através de uma máscara. Toda noite, eu dormia com ela e com esse aparelho. Não era confortável, nem bom, mas era o que permitia eu dormir com ela.
Pouco antes do meu deserto, crendo sempre na restauração da minha família através dos meus atos, eu impus a mim mesmo a promessa de me livrar desse aparelho a qualquer custo. E fui direcionado para fazer isso de forma radical e também saudável.
Nesse período até março de 2026, eu perdi 38kg. Fico feliz em dizer que não de maneira depressiva. Ao contrário. Algo me guiava e me dava a luz que fazia com que eu acreditasse que era possível ela voltar, mesmo estando com outra pessoa. E meu foco não era perdido por nada. Essa minha meta me fez criar novos hábitos. Hábitos totalmente saudáveis como correr e fazer musculação. Coisas que ela sempre quis que eu fizesse mas eu sempre procrastinava.
Durante esse período eu me dediquei a minha igreja, dividia meu tempo entre atividades físicas, educação alimentar radical e jejuns. Tanto para Deus, que eu me dedicava em orar mais, quanto para mim mesmo, para o processo de perda de peso para parar de roncar. E deu certo.
Acho que para quem está passando pela forja como eu passei é importante falar de alguns comportamentos meus. Eu não postava em rede social como estava minha vida, meu progresso ou meus resultados, menos ainda minhas emoções. Não postava quase nada além de alguns momentos junto de meu filho e repostagens de pessoas que me marcavam por algum motivo. Também não via nada da vida dela (deixei de seguir), não a bloqueei e nem fechei nenhum canal de comunicação, apenas não me comunicava com ela. E isso é importantíssimo nesse processo.
Se vc sabe o que vc quer, não tem porque bloquear. Mas ela também não me procurou nesse período. Sim, isso com certeza era sentido por mim, mas eu consegui por na minha cabeça que ela já não queria mais nada comigo, então eu sabia que eu não podia chegar nela se não fosse com a ajuda de Deus. E então seguia. Orava por ela, e o mais doloroso, mas mais libertador, aprendi a orar por ele. Aprendi a orar a Deus pedindo que o outro cara pudesse ter a oportunidade de encontrar uma mulher que o completasse como a minha me completa. E orava pelo tempo de Deus, confiando que havia vivido uma Promessa Dele.
Na ultima semana de fevereiro eu recebi surpreso uma mensagem dela. Eu havia oferecido para ela meses atrás para ajudar nos cuidados do gato que era dela, mas eu amava o bichinho como se fosse meu. E assim ela me pediu ajuda com o tratamento para ele, comprando uma ração específica que ele precisa utilizar. Eu consenti a ajuda e encomendei a ração. Enquanto a ração não chegava eu orava para que Deus pudesse me tranquilizar e compreender se aquilo poderia ou não ser uma aproximação, e que eu então havia aprendido a não querer mais que a minha vontade fosse feita, mas a Dele acima da minha.
Quando chegou o dia da entrega, eu não sabia se quem iria receber a ração era ela, ou o filho dela (quando a conheci ela já tinha um filho de um relacionamento anterior) , ou até mesmo o namorado (nessas horas tudo passa pela nossa cabeça), então antes de levar a ração para ela pedi apenas que não importasse o que acontecesse, que houvesse paz nos prováveis 20 segundos que levariam do momento que a porta da casa dela fosse aberta e quem quer que retirasse a ração, e fechasse a porta novamente.
Quando toquei, quem abriu a porta foi o filho dela, meu então ex-enteado, que me convidou para entrar e ver o gatinho. Aceitei aliviado por não ter sido algum outro cara e confiante de que ela provavelmente não estava em casa. Mas eu estava errado. Na hora que eu entro no apartamento dela, ela sai do quarto e pede para o filho dela ir para o quarto estudar, que ela precisava falar comigo.
Foi uma conversa dura. Passamos a limpo muita coisa, entre elas, que ela estava solteira já haviam umas semanas, e tudo o que ela viveu comigo e sofreu comigo, principalmente por minha causa, precisava que eu soubesse. E eu soube. Os 20 segundos viraram quase duas horas. Em meio a muita dor, e imaginando que ela estivesse sofrendo muito ainda, eu me despedi e fui embora.
Ao chegar na minha casa eu escrevi uma carta para ela. Uma carta de perdão, tentando pontuar não só os erros que ela havia me relatado ter sofrido, mas outros que durante esse período eu consegui entender que também estava errado em mim. Não disse nessa carta que eu a amava a desejando novamente, não quis que ela sentisse que de alguma forma eu queria que ela tomasse uma decisão de voltar para mim e principalmente, de voltar àquela vida antiga, que nem eu estava mais vivendo. Apenas pedi perdão e expressei minha gratidão pela existência dela e do filho dela na minha vida e na do meu filho. Não sabia ao certo se eu teria a oportunidade de entregar essa carta, menos ainda quando isso poderia acontecer, mas orava para que isso ocorresse no momento certo.
Uma semana depois desse dia, eu estava fazendo minha corrida que então virou habito na praia quando ao terminar de ouvir um audiolivro (faço questão de dizer que o livro era “As 5 linguagens do amor) eu parei de frente ao mar, refletindo, orei a Deus por uma nova oportunidade. Uma chance de tentar fazer com que aquele dia duro vivido por nós não fosse o nosso último contato.
Eu vivi coisas extraordinárias nesses meses que passei e isso que aconteceu a seguir foi uma delas. Nesses meses afastados, apesar de morarmos relativamente perto, nunca havíamos nos esbarrado pelas ruas de meus caminhos. Nesse dia, após essa oração em frente ao mar, enquanto eu voltava para minha casa, nós cruzamos um o caminho do outro.
Soube que a moto dela estava quebrada e por isso ela estava a pé, eu perguntei se podia a acompanhar e então conversamos levemente. Ela estava indo para o centro que ela estuda, que fica próximo a um mercado que eu frequentava. Eu ofereci uma carona de volta do centro dela após eu passar no mercado e ela aceitou a gentileza. Foi quando eu voltei para casa para pegar meu carro e também a carta. Senti no meu coração que aquele era o momento.
Quando a busquei, a levei para casa e antes que ela saísse do carro entreguei a carta. Não houve beijo, mal houve despedida. Mas houve paz, e naquele momento, era tudo o que precisávamos. Quando cheguei em casa ela me mandou mensagem dizendo que havia terminado de ler a carta e me agradeceu. Disse que aquilo foi muito, muito importante para ela, apesar de estarmos separados e de termos seguido em frente.
Ela voltou a dizer que não havia mais nós, e que não via essa perspectiva. Eu agradeci, disse que estava tudo bem e que tudo bem se essa fosse a vontade de Deus. Três dias depois ela me ligou, aos prantos, triste. Sentamos, falamos e ouvimos coisas que precisavam naquele momento serem ditas, quando finalmente surgiu o “primeiro beijo”.
Daquele dia em diante, não nos separamos mais. Vivemos outra realidade hoje, é verdade. Ela mora num apartamento em outro bairro, mas passamos mais noites juntos no nosso antigo do que sozinhos. Algumas coisas ainda estão sendo e serão ajustadas, mas colocamos Deus a frente na nossa vida e não precisamos nesse momento ter pressa. Apenas fé de que Nele tudo podemos porque tudo é possível.
Também relembro uma coisa que considero muito importante: seja por coincidência, destino – coisas que eu acredito muito menos do que em Cristo - o momento onde ela me procurou foi pouquíssimos dias após eu ter sentido a sensação de que não me importava mais se ela voltaria, pois não estava nas minhas mãos. Quando eu entreguei a Ele, Ele mostrou porque Ele é Deus.
Ele me fez mais forte, me fez mais saudável, me fez enxergar muitos erros que eu cometi. Me fez parar de olhar para os defeitos dela, e compreender que Ele não age pelo nosso gosto, mas pela nossa felicidade, especialmente quando descansamos Nele.
Hoje eu agradeço a Deus por toda a Graça que me foi dada ao encontrar nesse caminho pessoas e situações especiais que nutriram e vinham alimentando minha alma com a esperança de descansar no amor Dele e também de me fazer ser alguém que deseja a um irmão aquilo que eu também conquistei. Entrar no grupo Restaurar foi um alento precioso para minha alma, especialmente porque me fiz mais forte tanto ao ajudar quanto ao ver pessoas com problemas como o meu sendo ajudadas por outras, como se fossem anjos. Em especial, à Sol que entendeu no meu testemunho que eu também precisava fazer parte desse grupo para então preencher o espaço em mim que era carente de dar aquilo que eu mais queria receber, o sentimento de amor genuíno ao próximo.
Ciro
ciroangelojunior@gmail.com
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