Que alegria testemunhar esse momento na vida da nossa amiga Vanessa. Ela não desistiu de lutar pelo casamento mesmo quando tudo parecia difícil. Atravessou um deserto longo, enfrentou dores, decepções, mudanças, medos e momentos em que tudo parecia ter chegado ao fim, mas continuou caminhando. Você aprendeu a desfocar, a se posicionar, a cuidar da sua própria vida e, acima de tudo, a colocar Deus novamente no centro. Isso também é restauração!
"Vanessa que esse recomeço seja vivido com muita sabedoria, paciência, amor e dependência de Deus. Não tenha pressa de recuperar em dias aquilo que levou anos para ser reconstruído. Um dia de cada vez, uma conversa de cada vez, uma escolha de cada vez. Que o Senhor complete a boa obra que começou na vida de vocês e transforme esse retorno em um verdadeiro novo começo".
Sol
..................................................
Oi Sol, oi grupo restaurar! Meu nome é Vanessa, e hoje quero compartilhar com vocês o retorno do meu cônjuge ao lar.
Entrei no deserto em outubro de 2023, 2 semanas antes de completar 1 ano de casado. Meu esposo e eu começamos a morar juntos em novembro de 2019, e oficializamos a união em outubro de 2022.
Meu esposo sempre fez questão do casamento, confesso que eu apesar de ser a cristã do casal, já estava acomodada e ‘satisfeita’ com a situação de apenas morar junto mas quando chegou 2022 ele disse que ou a gente casava ou a gente ia terminar, porque nossos planos já éramos nos casar e acabamos adiando muito por causa da pandemia.
Enfim, nos casamos, e parece que quando nos casamentos as lutas aumentaram. Já em janeiro de 2023 sentia a gente distante, magoado um com outro e com a capacidade de resolver problemas cada dia menor, até que em abril meu esposo foi demitido, o que o fez mergulhar em uma tristeza profunda, e eu, por também já fazer acompanhamento há anos com psicólogo e psiquiatra por causa de depressão e ansiedade, não consegui dar o suporte emocional que ele gostaria de receber.
Em setembro de 2023, escrevi para Deus que gostaria de uma oportunidade de recomeçar nossa relação do 0, uma fixa completamente limpa, não queria me divorciar mas a forma como nos tratávamos estava insuportável. Até que exatamente um mês depois (escrevi no dia 13/09/2023, meu esposo fez a ‘anunciação em 13/10/2023), meu esposo disse que não queria mais ser casado.
Foi um choque pra mim porque eu mesma nem queria mais o casamento, e ele fez tanta questão que pagou TUDO sozinho, basicamente eu só fui assinar nos dias que precisava ir. E agora, faltando 2 semanas para o primeiro ano, ele me soltava essa bomba. Meu mundo caiu, pois eu idealizei muito o casamento antes de desistir de casar. Eu não sou uma pessoa de muitos sonhos, a bem da verdade, meu único sonho era casar, mas como muitas pessoas, esperei o casamento sem me preparar para ele.
O casamento muda as coisas. Meu cônjuge jogou essa bomba no meu colo com muitas lágrimas, ele já estava muito triste pelo desemprego (nessa altura, eu já tinha arrumando um outro emprego para ele), e também muito ressentido comigo pela falta de apoio. Segundo ele, eu não dei o suporte que ele precisava. Me preocupei muito com ele não estar trabalhando, e o que ele queria mesmo eu não dei.
Meu marido é uma pessoa muito sentimental, então ele gosta muito de abraços, palavras de conforto e afirmação, já eu sou o epítome do pragmatismo, não sou de cultuar problemas, sou de resolver, e com isso, passo uma imagem de quem não está nem aí, o que não é verdade, mas o que fazemos da boca pra fora as pessoas escutam do coração para dentro.
Depois dessa notícia bizarra para não dizer o mínimo, passei 1 mês lutando com Deus, perguntando porque Ele estava me punindo, me castigando, tirando de mim a coisa com que eu mais me importava nessa vida. Vale contar um detalhe, no dia 09/10, uns dias antes dessa fala do meu esposo, recebi uma carta em um culto escrito assim “Do seu Pai”, e nessa carta, a pessoa que nada sabia desse meu pensamento e desejo de recomeçar meu casamento, dizia que não era para eu temer o vendaval, Deus ia remover muitas coisas que não tinham raiz na minha vida, que por causa da grandeza das coisas que Ele deseja fazer através de mim, precisava fazer uma obra na minha vida, e logo após veio essa situação difícil da minha vida: o que Deus ia remover era meu ídolo. E esse ídolo era meu marido.
Veja bem, eu fui uma pessoa com muita ausência paterna. Eu tinha muitos problemas com meu pai, e nesse ano sinto que Deus tratou isso em mim, mas ainda tinha um ídolo. Eu via meu marido como uma figura paterna, eu o idolatrava, ele era meu Sol, o ar que eu respirava, ele era tudo e mais um pouco que eu queria. E isso não era saudável. Isso não era de Deus.
No fim desse primeiro mês, dia 12/11/2023, eu tive um sonho totalmente espiritual com meu cônjuge, vícios, coisas de outras religiões, enfim. E nesse dia eu tive o entendimento de que estava entrando em uma batalha, Deus tinha me chamado para batalhar com Ele pela vida do meu esposo.
Ainda muito triste e abalada, retornei para a terapia, e quando o ano virou em 2024, entrei com uma nova mentalidade. Vislumbrando a possibilidade dele se ausentar e eu ter que me virar com a casa sozinha, tirei meu CRC após anos de formada (eu estava acomodada em todas as áreas da minha vida, incrível), fui para outro setor no meu trabalho, comecei a fazer alguns serviços de contabilidade por fora.
Amadureci muito nesse processo, e o inevitável e óbvio aconteceu: em junho, duas semanas antes do meu aniversário, meu esposo me traiu. Lá atrás ele já tinha deixado claro que ele queria ser sozinho, fazer coisas de solteiro, quem sabe até ficar com outras pessoas, e que não queria me ferir me traindo, por isso queria ir embora. Confesso que insisti e talvez tenha tomado na cabeça pela insistência, pois a traição feriu até o último átomo do meu corpo. Nesse ínterim, meu esposo ficou doente e encostado pelo INSS, começava aí uma nova fase, a enfermidade, até ser desligado do outro emprego.
Não dou tanta ênfase a traição, pois além de não cultuar problemas e dores, sei que a traição não é causa, é sintoma, igual uma febre. Levou 09 meses, entre ele falar que não queria mais ser casado até me trair. Nesses 9 meses, ele se tornou outra pessoa, e confesso que decidi tão profundamente lutar pelo casamento, que simplesmente abstraí. Não é que não doeu, mas como disse, ela não foi a causa, ela expôs o que já estava muito ruim entre nós.
Após a traição, ele não conseguia mais me encarar, e dizia que ficar em casa depois disso era como olhar para uma mulher que ele agrediu, coisa que ele abomina. E que não tinha como ficar em uma relação que não conseguia olhar outra pessoa nos olhos, mas ainda assim, ficou na mesma casa até maio do ano seguinte.
Retornando, em 2024 eu vivi uma revolução verdadeira. Mentalmente, profissionalmente, espiritualmente. Tudo mudou nesse ano, e quando entrou em 2025 sentia uma nova força, coisa que não senti no fim do ano de 2023. Logo em janeiro, pedi ao Senhor que me levasse para outra casa, pois já estava cansada daquele lugar.
Algo que não mencionei antes é que 2023 foi horrível em todos os sentidos, em março daquele ano, poucos dias antes dele receber o aviso prévio, nossa casa foi invadida e eu fui furtada. Isso me engatilhou demais, mexeu muito com a minha cabeça pensar que alguém poderia entrar na casa de alguém, fiquei pensando o que teria acontecido se eu ou ele estivéssemos em casa, e levei praticamente 2 anos para me mudar de casa, pois queria pensar muito. E como disse, em janeiro pedi que Deus me levasse para outra casa, e assim aconteceu em outubro do ano passado.
Uma das coisas que aconteceram foi eu retornar para o corpo. Explicando: em 2023 foi quando deixei de congregar, não pelos problemas no casamento, mas a comunidade em geral já não condizia com a minha realidade em todos os aspectos, então passei 2024 inteiro sem pertencer, apenas visitando e vivendo minha vida com Deus em casa.
Em jan/25, comecei a visitar o que hoje é minha comunidade de fé, e estou lá desde então, servindo na obra do Senhor. Em maio do ano passado eu preguei no dia 14/05/2025, e no dia 15 meu marido me chamou para conversar e disse que nossa situação já era insuportável, e assim, um dia após eu voltar a pregar meu marido foi embora de casa. Ao contrário do que eu pensava (que muitas pessoas ainda devem pensar), deserto dentro de casa é muito pior. Se eu posso usar essa palavra, é um inferno.
Quando meu marido saiu eu senti muito alívio e paz ao pensar que ele não ia mais voltar, porque enquanto ele estava lá, eu ficava com muitos pensamentos de ruminação, e quando ele foi parece que um peso saiu das minhas costas. Claro que senti muita saudade dele, antes disso tudo, éramos companheiros, minha família não mora longe mas também não é perto, e eu não gosto de levar problemas para a casa dos outros, logo, ficava muito sozinha. Mas quando ele saiu, comecei a me organizar melhor, pensar com mais clareza, até minha alimentação melhorou.
Em julho daquele ano tive uma crise alérgica, e por ser período de férias, meu marido passou o mês inteiro com o seu filho (ele quando solteiro teve um filho e eu sou a "boadrasta"). Ele saiu de casa, mas ainda ia lá me ver, nesse tempo todo nunca perdemos contato mas em julho, quando eu adoeci, ele não foi nenhuma vez porque estava com o filho, e eu também não falei que estava doente.
Nisso, algo mudou em mim. Eu nunca pedi para ele voltar, mas também nunca fechei a porta. Apenas fiquei na minha orando bastante em casa mas sem o desespero. E quando entramos em agosto, ele começou a me sondar, perguntando se eu achava que a gente ainda tinha chance, se eu acreditava que a gente conseguiria... E eu falei que a gente podia tentar, mas já estava decidida a sair daquela casa, então falei com ele que naquela casa nossa história tinha acabado.
Em outubro do ano passado, mudei para a casa que moro agora, e ele arrumou um trabalho, mas por não ser fixo, ele passou praticamente um ano longe, afirmando que não queria voltar sem poder me ajudar, apesar de eu nunca ter falado que esperava algo financeiramente falando dele. E por mais que eu o tranquilizasse quanto a isso, ficou muito cômodo para ele ficar na casa da mãe dele – até ficar insustentável ficar lá. As relações lá começaram a estremecer, ao ponto de ele entender que ou ele saía ou ele ia morrer lá. Mas conversando (um lado positivo é que ele me fala tudo, tudo que pensa, tudo que sente), ele disse que tinha medo de voltar e me trazer problemas.
Nesse tempo distante, além de muito depressivo, ele ficou muito ansioso. Talvez seja a ociosidade, problemas de saúde, mas isso deixou ele muito ansioso. E na minha casa, é muito tranquilo, logo, quando ele ia, ficava muito agitado, as vezes chegava lá após ter discutido com algum familiar, porque lá eles brigam muito.
Em junho desse ano, ainda fazendo esse bico, ele perguntou se não tinha uma vaga para ele trabalhar onde eu trabalho, como aqui na fábrica (eu trabalho em um escritório de uma fábrica de óleos) tem muita necessidade de mão de obra, o indiquei para uma vaga, em julho me deram a esperança, mas devido ao baixo faturamento adiaram essa contração, porém no final de agosto, meu patrão levantou a bola de que chamaria as pessoas que indicamos, e no fim do mês, meu esposo fez os exames e depois a consulta. Hoje foi o dia da integração dele, estamos ansiosos e com medo do que vem por aí, mas hoje foi um dia de recomeço.
Escrevo esse testemunho não por tudo estar solucionado. Apesar dele ter pedido para voltar para a casa, ele não me pediu para voltar para mim. Domingo a noite, ele chegou na minha casa de mala e cuia, apavorado com a vida, mas até então, aparentemente decidido a ficar aqui. Ontem de noite antes de dormir, oramos e choramos muito com medo do futuro. Segundo ele, eu não merecia o que ele me fez passar, e que ele não merece uma esposa como eu, e por mais que eu diga que estou disposta a me esforçar, ele está muito opresso e triste com a vida em geral.
Ainda é muito apegado à mãe, que não entende que o filho é casado, então passa problemas e em vez de resolver a própria vida, joga o fardo nas costas do filho mais velho. Essa é ainda uma estrada muito longe que vamos percorrer, mas após 1 ano e 4 meses com ele fora de casa, hoje testemunho que as coisas começaram a andar. Como vai ser eu não sei, estou com medo, muito medo de ser abandonada novamente. Me vejo sem coragem de passar por tudo que passei outra vez, me sinto triste porque achei que ele estava mais firme porque ele estava muito decidido quanto a voltar para o casamento enquanto eu estava muito receosa. Mas ontem conversando com ele disse que sente muito medo, apesar de me amar muito, de não se ver com outra pessoa, tem medo.
Como podem ver, nós dois estamos com muito medo de tudo, da vida, não sabemos como será a caminhada e o processo de retorno, afinal, foi mais de um ano morando separados. Mas quero testemunhar que é possível, que ainda tem como recomeçar após um longo inverno, que Deus ainda faz, e eu tenho fé de que Aquele que começou a boa obra de restaurar nosso casamento, é fiel para completar.
Nessa jornada, fiquei muito solitária fisicamente, pois muitas pessoas (ditas cristãs, inclusive) não acreditam em restauração de casamento, e também não há necessidade de espalhar o que me aconteceu com todas as pessoas. Com o grupo Restaurar, aprendi a orar e pedir coisas para a Pessoa certa -- Deus. E também não me senti mais sozinha, porque ali tem pessoas com o mesmo objetivo que eu. Me sinto sentada aos pés dos sábios, pois somente quem passa pelo que passamos é capaz de nos dar uma palavra nessa caminhada.
Não pedia muitos conselhos porque sou muito na minha, mas acatei todos os direcionamentos para oração, posicionamento, conteúdos excelentes. Já o canal do youtube Restaurar Casamentos, foi e é até hoje crucial na minha vida. Não somente no quesito restauração do casamento, mas na minha restauração pessoal.
Uma das coisas que me ajudou bastante foi desfocar (que aprendi com os ensinamentos da Sol), e orando nesse sentido, consegui focar em outras coisas na minha vida, como saúde, vida profissional, e etc. O canal tem muitos conteúdos bons para todas as fases do deserto, principalmente as fases 2-3.
E mesmo que eu seja muito quietinha, aprendi muito a me posicionar. Os erros são os melhores professores, e a estar cercada de pessoas que já estão mais a frente do que eu, me ensina muito. O canal e grupo Restaurar são os únicos conteúdos que consumo nesse sentido, porque por mais feridos e desesperados que possamos estar, nem todo mundo tem a sobriedade que a Sol e os adms tem, e eu não consigo assimilar coisas que parecem desesperadas. As vezes, pessoas firmes e assertivas (e que muitas vezes parecem diretas demais) são o antídoto contra o desespero.
Um adendo, pois, senti falta de versículos bíblicos nessa parte do meu testemunho (digo parte, pois espero completar ele). No dia em que nos casamos, veio na minha mente a metade do salmo 126, pois como disse, eu idealizava demais o casamento mas quando foi chegando perto de casar eu já não tinha mais essa vontade. Porém no dia, me veio dos versículos 1 a 3:
“Quando o Senhor trouxe do cativeiro os que voltaram a Sião, estávamos como os que sonham. Então a nossa boca se encheu de riso e a nossa língua de cântico; então se dizia entre os gentios: Grandes coisas fez o Senhor a estes. Grandes coisas fez o Senhor por nós, pelas quais estamos alegres.” Salmos 126:1-3
Porém, passando esse tempo no deserto, percebi que ainda faltava o restante... Ainda faltava colher os feixes que foram semeados em lágrimas...
“Traze-nos outra vez, ó Senhor, do cativeiro, como as correntes das águas no sul. Os que semeiam em lágrimas segarão com alegria. Aquele que leva a preciosa semente, andando e chorando, voltará, sem dúvida, com alegria, trazendo consigo os seus molhos.” Salmos 126:4-6
Sei que temos ajustes à fazer, tenho plena consciência disso, hoje o medo pesa em ambos os lados pois foram praticamente 3 anos no deserto, e eu ainda não considero que saí porém já vejo a terra prometida olhando as coisas que meu esposo trouxe para a casa. Mas testemunho porque a minha ovelha perdida voltou para a casa, o filho pródigo voltou para o lugar que pertencia a ele. E hoje, isso basta. Um dia de cada vez e Deus em todos eles.
“Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo.” Filipenses 1:6
Vanessa Santos
vanessasantossocial95@gmail.com

Nenhum comentário:
Postar um comentário