Hoje vamos glorificar a Deus pelo testemunho do amigo Roosevelt, que vem nos contar como enfrentou um deserto de dois anos lutando bravamente pelo casamento. Sua história é um testemunho vivo de coragem, maturidade e fidelidade. Em meio às tempestades, ele escolheu não permitir que as circunstâncias definissem quem ele é nem apagassem os valores que carrega. Mesmo com erros na caminhada ele não desistiu enquanto muitos teriam desistido, ele permaneceu firme, guardando o coração, sustentando a fé e lutando com dignidade pela restauração do seu casamento. Sua postura revelou caráter, e sua perseverança falou mais alto do que qualquer palavra.
Roosevelt que sua caminhada seja sempre lembrada como prova de que o amor verdadeiro resiste, amadurece e vence. Deus honra aqueles que não se deixam moldar pelo caos, mas pela promessa. Sua perseverança inspira outros homens a entenderem que lutar não é fraqueza, é honra; esperar não é perda de tempo, é confiança. Que essa vitória seja apenas o começo de uma nova estação, marcada por cura, reconstrução e propósito.
Sol
...............................................................
Olá, irmãos e irmãs de fé.
Hoje, ainda que de forma tardia, venho compartilhar o meu testemunho de restauração e do agir de Deus na minha vida. Confesso que, no início, o medo bateu forte, mas hoje só posso glorificar a Deus pela maravilha e pela salvação que Ele realizou no meu casamento.
Meu nome é Roosevelt, tenho 43 anos. Sou casado com a Cinthia, de 41 anos. Estamos casados há 13 anos e temos três joias fruto dessa união: um menino de 11 anos, e o casal de gêmeos de 6 anos. O testemunho que compartilho hoje refere-se a um deserto de quase dois anos, marcado por muita agonia e sofrimento, mas que hoje me permite exaltar o nome de Jesus Cristo, o Salvador.
No final de 2008, mudei da minha cidade natal, no interior de São Paulo, com cerca de 15 mil habitantes, na região do Fundo do Vale, para Taubaté/SP, no centro do Vale do Paraíba. Tomei essa decisão com o intuito de seguir minha jornada profissional, pois na região onde eu morava não havia oportunidades de crescimento.
Naquela ocasião, quando vim para Taubaté, eu estava em um relacionamento de nove anos com outra pessoa, mas nossas agendas estavam sempre desencontradas e já não havia mais sentimentos. Assim, houve o rompimento. Como relatei, cheguei a uma nova cidade com foco profissional. Nesse período, morei com um casal de irmãos que eram da minha cidade e que já estavam em Taubaté havia algum tempo. Eles me acolheram durante essa transição.
Em 2008, comecei a trabalhar em uma empresa que realizava serviços de engenharia e projetos para a Sabesp, companhia de saneamento básico de água e esgoto de São Paulo. Eu não me sentia feliz nesse trabalho e, por isso, passei a buscar novas oportunidades, até conseguir ingressar em uma multinacional na mesma cidade.
Nesse novo emprego, conheci várias pessoas bacanas no departamento, homens e mulheres muito acolhedores. No café, conversávamos sobre rotina profissional e sobre questões pessoais, ainda mais porque eu estava longe da minha família. Trabalhei cerca de dez meses nessa empresa, até receber uma proposta em outra empresa, em uma cidade vizinha, com melhor remuneração, e acabei aceitando.
Foi nesse momento que começou a minha história com a Cinthia. Após quatro meses de trabalho nessa nova empresa, uma amiga que eu havia conhecido na empresa anterior me enviou um e-mail dizendo que gostaria de me apresentar uma amiga que estava solteira e que tinha tudo a ver comigo, pois era romântica, alegre e gostava de estar com os amigos.
Recebi o e-mail com a foto da Cinthia e, naquele primeiro momento, estando sozinho em Taubaté, admirei sua beleza e aceitei o convite para que marcassem um encontro, onde poderíamos nos conhecer entre amigos. Em uma quinta-feira, ela me chamou para irmos a uma pizzaria. Eu, todo sem jeito, meio “caipirão”, não sabia qual seria o impacto daquele encontro.
Cheguei ao local, fui muito bem recebido e conheci a Cinthia. Ela estava alegre e espontânea. Na televisão passavam músicas internacionais dos anos 80 e 90, e ela comentava animada o quanto gostava desse estilo musical e daquele clima. Comemos pizza, rimos bastante, e ela me convidou para, no dia seguinte, irmos a uma balada da cidade onde aconteceria uma festa à fantasia. Infelizmente, recusei, pois tinha compromissos na cidade dos meus pais.
Na hora de ir embora, convidei a Cinthia para ir comigo no meu carro. Ela aceitou, e acabamos nos beijando dentro do carro. Os dias foram passando e ela não saía da minha cabeça. Trocávamos mensagens, eu insistia em um novo encontro, mas percebia certa resistência da parte dela, o que me fazia até duvidar do interesse.
Consegui, com insistência, marcar um novo encontro. Saímos para jantar em um restaurante da comunidade italiana da cidade e, a partir dali, começamos a trocar experiências de vida, compartilhando nossas histórias até aquele momento. Depois desse encontro, passamos a sair com frequência. Cinthia era formada em jornalismo, mas estava desempregada. Vinha de uma família humilde: o pai sofria de transtorno bipolar e estava afastado, e a mãe ajudava a sustentar a casa como podia.
Em dezembro de 2009, começamos a namorar. Ela me apresentou a alguns familiares. O Natal daquele ano cada um passou com sua família, mas, na virada do ano, resolvemos fazer uma viagem para Trindade, no litoral de Paraty/RJ. Foi tudo maravilhoso, e ali entendemos que poderíamos trilhar um relacionamento sério e levar aquilo adiante. Em maio de 2011, ficamos noivos e decidimos marcar o casamento para agosto de 2012.
Durante o período de noivado, à medida que a convivência se intensificava, alguns sinais começaram a aparecer. A Cinthia tinha um temperamento forte e explosivo, principalmente quando fazia uso de bebida alcoólica. Naquele tempo, eu ainda não possuía maturidade emocional nem espiritual para compreender a gravidade disso dentro de um casamento. Muitas situações eu acabava relevando, acreditando que com o tempo tudo se ajustaria.
Íamos à igreja, mas nossa fé era superficial. Ambos já tínhamos histórico dentro da igreja: eu auxiliava na organização eventos e a Cinthia cantava no ministério de louvor. Contudo, não vivíamos um relacionamento verdadeiro com Deus. Éramos religiosos, mas não espirituais.
Pouco antes do casamento, fui surpreendido com a perda do meu emprego. Foi um período de muito medo e insegurança, pois já havia compromissos financeiros assumidos com o casamento, aluguel e outras despesas. Humanamente, parecia que tudo iria desmoronar. No entanto, Deus agiu rapidamente e, em cerca de uma semana, fui recolocado profissionalmente na mesma empresa que havia trabalhado anteriormente. Seguimos, então, com os preparativos.
Nos casamos em agosto de 2012. O início da vida conjugal foi marcado por expectativas, mas também por desafios. Minha vida profissional começou a crescer, passei a viajar com frequência a trabalho e, posteriormente, fui aprovado para lecionar como professor universitário, dando aulas no período noturno em outra cidade. Minha rotina se tornou extremamente puxada, o que começou a gerar desgaste e distanciamento no relacionamento.
As discussões passaram a ser constantes. Havia dificuldades de diálogo, cobranças excessivas, a Cinthia tinha dificuldade na cozinha, sempre me sobrecarregando, desequilíbrio emocional e ameaças frequentes de separação. Muitas vezes, para evitar conflitos maiores, eu me calava, engolia a dor e seguia tentando manter a família unida, mas isso apenas acumulava feridas.
Em 2014, Deus nos presenteou com o nascimento do nosso primeiro filho. Foi um momento de grande alegria e esperança. Tentamos nos reaproximar, buscamos ajuda e chegamos a participar de um grupo de casais na igreja. Porém, ainda não havíamos colocado Deus verdadeiramente no centro do nosso casamento. Continuávamos tentando resolver tudo com nossas próprias forças.
No ano de 2015, enfrentamos um período muito difícil: minha mãe adoeceu gravemente com um AVC que deixou sequelas. Diante da situação, trouxemos meus pais para morarem perto de nós em Taubaté, para que pudéssemos cuidar deles mais de perto. Essa nova realidade trouxe um impacto emocional, físico e estrutural muito grande para dentro do nosso lar, aumentando ainda mais o cansaço, a pressão e os conflitos já existentes.
Com o passar do tempo, em 2017, a Cinthia decidiu realizar uma cirurgia bariátrica, ela não tinha indicação médica real para realizar o procedimento, pois o peso era pouco acima do peso ideal, mas ela não conseguia seguir uma dieta regular e academias, optou em engordar para passar por esse procedimento. A cirurgia trouxe mudanças físicas importantes, porém o processo emocional foi extremamente delicado.
Após a bariátrica, surgiram inseguranças profundas, oscilações de humor e fragilidade emocional, o que intensificou ainda mais os conflitos dentro do nosso casamento. Eu, por minha vez, não soube lidar com essa fase da maneira correta. Em vez de acolher e sustentar emocionalmente, muitas vezes me afastei, o que contribuiu para o aumento da distância entre nós.
As brigas continuavam, quase sempre acompanhadas da palavra “separação”. O ambiente dentro de casa se tornava cada vez mais pesado e instável. Ainda assim, seguimos, acreditando que tudo aquilo iria passar com o tempo. Mas o que ainda estava por vir exigiria um nível muito mais profundo de quebrantamento e dependência de Deus.
Em 2018, infelizmente, minha mãe faleceu, após complicações do AVC e de uma erisipela. O mais doloroso é que ela estava hospitalizada, com alta programada, quando sofreu uma parada cardíaca e partiu. Foi uma perda devastadora para mim. Perdi minha referência espiritual, minha base, minha mãe.
Em meio a esse luto, recebemos a notícia de uma gravidez. Aquela vida trouxe esperança em um momento de tanta dor. Porém, pouco tempo depois, perdemos o bebê em um aborto espontâneo, com cerca de três meses de gestação. Foi mais uma perda, quase insuportável. Estávamos enterrando minha mãe e, ao mesmo tempo, lidando com a perda de um filho que não chegaria a nascer.
Alguns meses depois, Deus nos surpreendeu novamente. Descobrimos que seríamos pais outra vez e, para nossa surpresa, de gêmeos. A notícia trouxe alegria, mas também medo e insegurança, pois ainda estávamos emocionalmente feridos por tudo o que havíamos vivido.
Enquanto aguardávamos a chegada dos gêmeos, meu pai adoeceu gravemente, enfrentando problemas sérios de saúde que exigiram cirurgias e acompanhamento constante. Em julho de 2019, cerca de um ano após a morte da minha mãe, meu pai também faleceu, igualmente no hospital, em uma situação muito semelhante, com alta programada. Em pouco tempo, eu havia perdido pai e mãe.
Em setembro de 2019, nasceram nosso casal de gêmeos. A chegada deles foi um sopro de vida em meio a tanto sofrimento. Contudo, apenas um mês depois, em outubro de 2019, meu sogro veio a falecer. Era como se estivéssemos vivendo uma sequência contínua de lutos e provações.
Vivíamos um misto constante de alegria e dor: vida chegando e vidas partindo. Emoções extremas se alternando, sem tempo para elaborar nada. Nosso casamento já vinha fragilizado, e todo esse contexto só aprofundou o distanciamento emocional entre nós.
Espiritualmente, estávamos frágeis. Não buscávamos a Deus como deveríamos. Tentávamos sustentar tudo com nossas próprias forças e isso nos esgotava. O casamento seguia com altos e baixos, muitas discussões, pouca comunicação e muita mágoa acumulada.
Esse período foi determinante para o que viria depois. As feridas emocionais, os lutos não elaborados e a ausência de Deus no centro do casamento prepararam o cenário para a maior crise da nossa história. O deserto ainda não havia terminado.
Em 2020 veio a pandemia. Ficamos confinados dentro de casa, um período que, curiosamente, diminuiu algumas brigas no início, talvez pelo medo coletivo e pela necessidade de adaptação. Porém, eu não me sentia bem ficando apenas em casa e comecei a ir com mais frequência para a empresa. Internamente, eu já não sentia prazer em voltar para casa, embora amasse meus filhos.
Nesse período, minhas finanças começaram a apertar. Eu já não dava mais aulas na universidade e a renda havia diminuído. Foi um ano difícil, de sobrevivência emocional e financeira, mas conseguimos atravessar.
Em 2021, com a queda da pandemia e o mercado tentando se reorganizar, comecei a enfrentar problemas no ambiente de trabalho. Eu já não estava satisfeito profissionalmente. Foi então que surgiu a oportunidade de trabalhar em uma grande empresa do agronegócio, no segmento de café, em Guarulhos/SP. Fui aprovado e iniciei em setembro de 2021.
O salário era melhor e, em apenas quatro meses, fui promovido a gerente executivo nacional, respondendo diretamente a um dos donos da empresa. Profissionalmente, eu estava em ascensão. Porém, aquilo que parecia uma vitória logo se tornaria mais um ponto de tensão dentro do meu casamento.
Uma das exigências da empresa era que eu morasse na região. Optei por não mudar a família, passando a viajar diariamente cerca de 110 km para ir e 110 km para voltar, para que minha esposa não perdesse a rede de apoio, a rotina das crianças e a qualidade de vida. Achei que estava fazendo o melhor para todos.
Nesse período, minha esposa passou a desejar uma casa maior. Mesmo com receio, acabei cedendo. Ela parecia compreender minha rotina de trabalho, mas, na prática, isso não se sustentou. As cobranças aumentaram. Muitas vezes eu chegava exausto do trabalho e ouvia que ela estava cansada de ficar em casa. Saía, deixava as crianças comigo, e eu ainda precisava cuidar delas e preparar a comida.
Foi então que começaram episódios mais graves. Minha esposa passou a ter crises de convulsão, ficava extremamente irritada e instável emocionalmente. Em um desses episódios, enquanto levava nosso filho caçula ao médico, convulsionou ao volante e bateu o carro. Graças a Deus, nada de grave aconteceu com ela nem com nosso filho, mas o impacto emocional foi enorme.
Após esse episódio, ela desenvolveu pânico, ansiedade e depressão. O ambiente em casa se tornou muito pesado. Qualquer diálogo era carregado de ironia e agressividade. Um simples “bom dia” vinha acompanhado de frases como: “só se for bom para você”. Eu não podia atender telefone perto dela. Os eventos profissionais que eu precisava participar eram motivo de acusações e insultos.
As discussões passaram a ser ofensivas. Até momentos que deveriam ser de celebração eram marcados por insatisfação. Chegou a comentar com minha sogra que parecia haver “um boi morto” dentro da casa onde morávamos, de tão pesado que o ambiente estava.
Aquilo começou a me adoecer profundamente. Eu ia trabalhar sem vontade de voltar para casa. No ambiente profissional, era admirado e respeitado, mas ninguém fazia ideia do inferno emocional que eu vivia dentro do meu lar.
Mesmo sendo uma pessoa de fé, comecei a questionar a vontade de Deus para o nosso casamento. Ano após ano, sempre surgia um novo problema. Bens que conquistávamos se perdiam. Eu não me sentia apoiado em decisões que eram para o bem da família. Muitas vezes sentia, inclusive, que minhas conquistas despertavam incômodo, e não alegria.
Em 2022, decidimos mudar novamente de casa. Ainda trabalhando na empresa, precisei fazer uma viagem até outro estado para acompanhar uma operação. Foi ali que uma brecha se abriu. Eu estava emocionalmente esgotado, me sentindo sozinho, sem apoio, e uma supervisora do meu time começou a me dar atenção.
Ao mesmo tempo, minha esposa descobriu que as convulsões estavam relacionadas a quadros de hipoglicemia, consequência da cirurgia bariátrica realizada em 2017 uma cirurgia que, como relatei, não era clinicamente necessária, mas que foi feita por decisão dela. Diante disso, ela precisou passar por um processo de reversão da bariátrica, o que agravou ainda mais seu estado emocional.
Nesse mesmo período, comecei a atuar paralelamente com uma empresa própria, conciliando com o regime CLT. Pouco tempo depois, fui desligado da empresa de Guarulhos, permanecendo apenas com minha empresa.
Cometi então mais um erro: contratei aquela supervisora para trabalhar comigo em home office. Quis ajudar, pois ela era mãe solo de duas filhas, mas hoje reconheço que isso abriu ainda mais brechas que não deveriam existir. Foi nesse contexto que começaram acontecimentos espiritualmente estranhos e perturbadores, que mais tarde eu entenderia como parte de uma batalha muito maior. O casamento já estava à beira do colapso.
Em 2023, tudo aquilo que vinha sendo acumulado ao longo dos anos explodiu de forma abrupta e dolorosa. Em uma noite, minha esposa pegou meu celular e viu mensagens que não a agradaram, relacionadas à supervisora do outro estado. Mesmo eu explicando que não havia relação física, aquilo foi suficiente para desencadear uma fúria descontrolada.
Começamos a discutir dentro do quarto, e a situação saiu completamente do controle. Ela passou a me agredir fisicamente e, quando tentei apenas me defender, sem intenção alguma de machucá-la, meu dedo acabou resvalando em seu rosto. Aquilo foi o estopim para algo muito mais grave. Em um acesso de raiva extrema, ela pegou uma faca e partiu para cima de mim.
Nossos filhos quase presenciaram uma tragédia. Naquele momento, o instinto de sobrevivência falou mais alto. Saí correndo de casa, em desespero, e fui para a casa da minha sogra. Ali, eu estava completamente quebrado, sem entender como nossa história havia chegado àquele ponto.
No dia seguinte, tentei conversar com minha esposa, mas não consegui. Tive acesso apenas às minhas coisas pessoais, que já estavam separadas fora de casa. Era como se eu tivesse sido expulso da própria vida.
Entrei em contato com amigos, buscando algum consolo. Muitos diziam que tudo iria passar, mas dentro de mim a dor só aumentava. Nesse período, minha esposa chegou a entrar em contato com a outra mulher (OM), buscando detalhes. Essa mulher afirmou que não havia nada além de trabalho e chegou a dizer que nós deveríamos refletir, perdoar e tentar consertar o casamento.
Fiquei cerca de cinco dias na casa da minha sogra, e ali tive consciência de duas coisas muito fortes: o quanto a dor pela perda dos meus pais ainda estava viva dentro de mim e o quanto eu ainda amava minha esposa, apesar de tudo.
Minha sogra, sempre defensora da família, pediu para que minha esposa me aceitasse de volta em casa. Ela aceitou, mas deixou claro que seria apenas pelos filhos. Voltamos a conversar, mas tudo era frio, distante e mecânico. Não havia amor, apenas convivência forçada.
No dia a dia, ela constantemente jogava na minha cara que eu estava com outra pessoa, e eu sempre negava. Chegou a dizer que, se eu tivesse direito, ela também teria. A indiferença dentro de casa passou a me matar por dentro. Ela era fria, grossa, humilhante. Eu me sentia invisível.
Foi nesse período que comecei a buscar mais a Deus. Um amigo passou a me buscar quase todos os dias e me levava à igreja que ele congregava. Ali eu sentia algum alívio, alguma paz momentânea. Mas, quando voltava para casa e ficava sozinho, o desespero tomava conta novamente.
Nesse mesmo tempo, uma pessoa que eu conhecia havia cerca de sete anos, de um antigo emprego, começou a me enviar mensagens dizendo que minha vida tinha um propósito e que eu precisava “aceitar” certas coisas para que tudo entrasse no eixo. Foi assim que ela me convidou a ir à Umbanda, dizendo que aquele era o meu lugar.
Eu aceitei e fui uma noite. Confesso que me senti extremamente desconfortável. Aquilo não fazia sentido para a minha fé. Voltei para casa ainda mais confuso espiritualmente. Minha esposa estava pior, proferindo palavras de baixo calão, agressiva, parecia fora de si. Aquela noite foi muito ruim, e eu estava completamente perdido.
Eu era católico, já havia frequentado igreja evangélica, e agora tinha ido à Umbanda. Estava sem direção, com uma tristeza profunda no peito e uma sensação constante de opressão.
Foi então que um amigo, que havia passado por problemas semelhantes no casamento, me indicou algo que mudaria minha caminhada: ler e ouvir testemunhos de restauração de casamento. Ele me disse que aquelas batalhas não eram em vão, que Deus queria me tratar e usar minha vida como testemunho.
Nesse período, ele me indicou o Blog Restaurar Casamento, da Sol. Ansioso e desesperado, comecei a ouvir testemunhos, ler relatos e isso foi acalmando meu coração. Cheguei a enviar um e-mail para a Sol, que com muito respeito me explicou que, por ter apenas um grupo naquele momento, eu ainda não poderia entrar no grupo de WhatsApp, pois era voltado para pessoas que já estavam separados, e no meu caso, não havia separação física. Mesmo assim, os testemunhos começaram a me fortalecer.
Passei a jejuar, orar mais e buscar a Deus no secreto. Meu coração foi sendo acalmado, mas dentro de casa eu vivia um verdadeiro deserto. As conversas eram mínimas, limitadas a filhos e contas. Não havia relação conjugal, não havia afeto.
Nesse período, minha esposa passou a sair com duas amigas, ambas casadas, que constantemente criticavam seus maridos e falavam abertamente sobre separação. Uma delas acabou se separando, e percebi claramente que aquilo era uma batalha espiritual, pois quanto mais eu tentava agir com força humana, mais minha esposa se afastava.
Ficamos assim por cerca de oito meses. Ela queria mudar para uma casa maior, com quatro quartos, para que tivesse o próprio quarto e liberdade, mantendo uma aparência de família apenas para que as crianças não percebessem que não éramos mais um casal. Eu não aceitei, pois acreditava na restauração. Ela dizia que isso era “coisa de crente” e que só eu lutava por algo que, para ela, já havia acabado. Mesmo assim, permaneci. Eu e Deus, no secreto. O deserto estava apenas começando.
Em dezembro de 2024, ainda acreditando que algo poderia mudar, vi uma casa que agradava à minha esposa. Ela concordou com a mudança, e eu aluguei o imóvel cheio de esperança. A casa tinha frases decorativas nas paredes, palavras sobre reconstrução, recomeço e coisas positivas. No meu coração, aquilo parecia um sinal de que Deus ainda poderia agir. Mas, na prática, foi um dos piores períodos que vivi.
Minha esposa voltou a trabalhar e, dentro dela, já existia um plano muito claro: quando estivesse financeiramente estabilizada, sairia de casa para viver a vida dela. A frieza aumentou ainda mais. O diálogo quase não existia. Ela se mostrava depressiva, distante e, ao mesmo tempo, dura e ríspida.
O que mais me feriu foi perceber o impacto disso nos filhos. Em determinado momento, ela disse ao nosso filho mais velho que nós estávamos ali apenas como amigos. Aquilo me destruiu por dentro. Eu não aceitava essa narrativa e isso gerava ainda mais discussões. As brigas se tornaram constantes.
As amigas continuavam influenciando fortemente. Sempre havia uma “novidade”, uma validação para a separação, e as críticas ao casamento e a mim só aumentavam. Além disso, as crises de depressão dela se intensificaram.
Como eu trabalhava em casa, vivia diariamente dentro desse ambiente pesado. Além de lidar com o distanciamento emocional, eu cozinhava, cuidava dela e das crianças. Mesmo fazendo tudo o que podia, aquilo começou a me adoecer profundamente também.
Foi nesse período que voltei com mais intensidade ao jejum e à meditação da Palavra. No fundo, eu sabia: aquela não era a mulher que eu havia conhecido. Eu tinha cada vez mais convicção de que não se tratava apenas de comportamento ou má vontade, mas de uma batalha espiritual real. Nada do que eu fazia funcionava. Presentes, mudanças, tentativas de agradar — tudo era rejeitado. A frase que eu mais ouvia era: “Com você, eu não volto mais.”
A dor de imaginar minha vida sem minha esposa e sem meus filhos todos os dias era insuportável. Eu já havia perdido meus pais. Agora, parecia que perderia minha família inteira. Poucas pessoas sabiam o que eu vivia. Em um momento muito marcante, meu barbeiro, enquanto fazia minha barba, disse algo sem saber de nada: “Não sei por que estou te dizendo isso, mas você e sua família são muito invejados.”
Aquilo me assustou profundamente e reforçou em mim a certeza de que aquela situação não era normal. Passei a participar de orações de madrugada, especialmente durante a Quaresma, acompanhando os momentos com o Frei Gilson. Ouvi mais louvores, parei de murmurar sobre o relacionamento e comecei a confiar mais. Pelos testemunhos que ouvia, sabia que o deserto precisava ser atravessado — eu só pedia a Deus que fosse mais curto.
Aos poucos, houve pequenas melhoras: um tratamento um pouco mais respeitoso, alguns gestos de cuidado. Mas ainda havia muita frieza. Nesse mesmo período, nossas finanças começaram a despencar.
Em março de 2025, com a situação financeira muito difícil, conversei com um amigo que me ofereceu uma oportunidade de trabalho em Curitiba/PR. Vi aquilo como uma possível mudança de ares e uma chance de recomeço, mas infelizmente não deu certo.
Minha esposa começou a trabalhar em outro emprego, no colégio das crianças. O diálogo melhorou um pouco, mas as dificuldades financeiras continuavam. Foi então que decidimos voltar para nosso apartamento, que já era nosso, para economizar com aluguel e tentar reorganizar a vida.
Em abril de 2025, voltamos para o apartamento. Era pequeno, com apenas dois quartos. Ficamos no quarto menor e as três crianças no maior. Foi uma grande prova de humildade e resistência.
A convivência continuava confusa. Em alguns momentos, ela permitia aproximação física; em outros, me rejeitava completamente. Eu sugeria passeios em família, mas ela não usava aliança. Dentro de casa, o deserto continuava. Para alguns, parecia que estava tudo bem, mas era apenas uma encenação.
No final de julho de 2025, decidimos levar as crianças para a praia, em uma cidade do litoral. No primeiro dia, tudo até correu bem. No segundo dia, porém, ela tirava fotos apenas com as crianças. Quando pedi uma foto nossa, ela se irritou profundamente. A volta foi marcada por discussões pesadas. Durante o trajeto, ela disse, exaltada: “Você não leva a sério. Tudo o que fazemos é pelos nossos filhos. Amanhã vou à advogada. Você sai de casa e paga a pensão.”
Mais uma vez, o desespero tomou conta de mim. Ela dizia que só eu queria a restauração, que quando apenas um luta não dá certo, que tentou perdoar e gostar de novo, mas não conseguiu. Que eu estava forçando uma situação que, para ela, já havia acabado.
Dessa vez, ela falou também com a família dela. Minha sogra, apesar de apoiar a decisão da filha, ainda me consolava dizendo que para Deus nada é impossível. Foi nesse momento que comecei a intensificar ainda mais minhas orações no secreto, os jejuns, a leitura da Bíblia e a ida à igreja. Ela queria um divórcio consensual, com um único advogado, exigindo pensão em valor mais alto e que eu saísse de casa, deixando o apartamento para ela e as crianças.
Humanamente, minha vida parecia desmoronar por completo. Quanto mais eu buscava a Deus, mais difícil parecia. A ideia de não acordar mais com meus filhos, de perder definitivamente minha família, era devastadora. Os trâmites do divórcio começaram a avançar., mas Deus ainda não havia dito a última palavra. Com o casamento extremamente fragilizado e minha esposa já se movimentando para entender o divórcio, eu me vi tomado por medo, ansiedade e um aperto constante no peito. Não era o que eu queria, mas precisava entender meus direitos, principalmente em relação aos meus filhos, caso a separação se concretizasse.
Procurei então um advogado diferente do advogado da Cinthia, apenas para orientação. Durante a conversa, contei toda a história: as perdas familiares, o desgaste emocional, a frieza dentro de casa e a iminência do divórcio. Depois de me ouvir atentamente, ele disse algo que me marcou profundamente: “Isso não é apenas um problema jurídico ou conjugal. Existe uma batalha espiritual clara acontecendo.”
Em seguida, ele me orientou: “Antes de qualquer decisão definitiva, procure um pastor. Nem tudo se resolve no papel.”
Aquilo me impactou muito. Eu não esperava ouvir esse tipo de direcionamento em um ambiente jurídico. Para mim, foi mais uma confirmação de que Deus estava me conduzindo.Segui o conselho e procurei um pastor. Fui como eu estava: cansado, abatido, emocionalmente esgotado. Contei tudo, sem filtros — minhas dores, meu medo de perder minha família, minha angústia diária.
Ao final da conversa, o pastor orou por mim. Durante a oração, algo diferente aconteceu. Comecei a passar mal, senti um mal-estar forte, um peso intenso no corpo, uma sensação que eu nunca havia sentido antes. Não era apenas emoção. Era físico e espiritual ao mesmo tempo.
Meu corpo reagiu. Fiquei fraco, confuso, com uma sensação estranha, como se algo estivesse sendo mexido dentro de mim. Foi um momento difícil, mas ao mesmo tempo muito marcante. Eu não sabia explicar racionalmente o que estava acontecendo, mas tinha certeza de que não era algo comum.
Depois da oração, aos poucos, aquele peso começou a aliviar. Não posso dizer que todos os problemas desapareceram, porque não desapareceram. Minha esposa continuava distante, não quis participar, não quis ir à igreja, e o divórcio ainda era uma possibilidade real.
Mas eu saí diferente. Mais leve. Mais consciente. Com a sensação clara de que algo havia sido tratado, quebrado ou revelado no mundo espiritual. A partir desse dia, entendi que eu não estava apenas lutando por um casamento, mas vivendo uma batalha que exigia entrega total a Deus. Passei a agir com mais silêncio, mais oração e menos reação. Continuei jejuando e buscando a Deus no secreto, mesmo sem respostas imediatas e externamente, tudo parecia igual, mas, espiritualmente, algo já não era mais o mesmo. E foi a partir desse ponto que as coisas começaram a mudar devagar, sem barulho, mas de forma real.
Voltei para casa e ela estava calma, não me indagou sobre nada. No dia seguinte, meu filho mais velho quis ir a um restaurante japonês. Fomos todos juntos. Na volta, passamos em frente a uma costelaria e eu comentei com ela: “Nossa, faz tempo que não vimos aqui. “Ela então respondeu, de forma serena, mas firme: “Esse é o nosso último passeio em família, porque você deverá sair de casa e vamos dar continuidade à separação.”
Foi muito doloroso ouvir isso. Humanamente, tive que aceitar, mas espiritualmente decidi confiar em Deus, me afastando quase 3 meses e cuidando mais de minha saúde, meu psicológico e meu físico.
Em setembro de 2025, pedi novamente à Sol para entrar no grupo Restauração de Casamento, e ela gentilmente me aceitou. Ali pude acompanhar relatos, testemunhos e compartilhamentos de informações muito importantes, que me ajudaram a seguir nessa caminhada no deserto. Tudo aquilo foi complementar e muito rico para o meu entendimento, principalmente por eu ainda estar morando junto há quase dois anos e, ao mesmo tempo, vivendo cerca de três meses de distanciamento emocional, com uma separação praticamente concretizada.
A Cinthia continuou com os trâmites do divórcio e voltou para a primeira advogada indicada por uma amiga. Eu, por minha vez, demorava para enviar alguns documentos. Ficaram pendentes apenas os extratos bancários, e eu acabava enrolando. Ela, muito nervosa e tomada pela raiva, já ameaçava levar o processo para o litigioso.
Eu não aceitava aquela situação, mas também não brigava. Permanecia em oração, com muita sinceridade diante de Deus, indo à igreja e entregando tudo a Ele. Até que, em um determinado momento, enviei os extratos bancários. Humanamente, aceitei o processo e fiquei aguardando a minuta para assinar e dar entrada oficial no divórcio.
Nesse período, tivemos o aniversário dos gêmeos. Ela me tratava com frieza, não usava aliança, e a família dela começou a perceber. Foi uma situação muito desconfortável, em que eu mesmo me senti deslocado.
No mês em que os contratos seriam assinados para iniciar a dissolução do casamento, ela já havia pago a primeira parcela da advogada, tanto a parte dela quanto a minha. Mas, um dia antes da assinatura, literalmente no último minuto do jogo, ela me disse que queria pausar o divórcio. Disse que pensou nas crianças e que algo dentro dela, uma “chavinha”, parecia ter mudado. Naquele instante, em pensamento, eu disse: “É Deus.” Deus, o restaurador de pessoas, de casamentos e de famílias.
Foi algo muito marcante. Estávamos sem relação havia quase dois anos, e retomamos de forma imediata, praticamente todos os dias. Passamos a prometer um ao outro que construiríamos um casamento diferente, baseado em respeito, cumplicidade, amizade e amor. Confesso que o milagre aconteceu quase no final de novembro. Voltei para minha família. Onde antes nossas conversas sempre terminavam em discussão, hoje existe diálogo, carinho e até brincadeiras.
O inimigo tentou destruir nossa família, mas graças a Deus não conseguiu. Deus é maior. Jesus é o nosso caminho, a nossa verdade e hoje é um membro fiel deste casamento restaurado.
Atualmente, estamos juntos, trabalhando nosso crescimento pessoal e como casal. A batalha de hoje é nas finanças, pois acabei perdendo um contrato de trabalho e estou buscando uma recolocação no regime CLT. Mas da mesma forma que vencemos o deserto no relacionamento, creio que Deus também nos ajudará com um novo trabalho e com a restauração das nossas finanças. Ele nos sustenta.
Hoje estamos unidos nessa causa, e iremos conseguir.
Salmos 126:4–6
“Restaura-nos, Senhor, como as correntes do deserto. Os que semeiam com lágrimas, com cantos de alegria colherão.”
Toda honra e toda glória sejam dadas ao nosso Deus. Sem Ele, nada disso seria possível em nosso casamento.
Acreditem no Senhor. Ele é o Deus de milagres!
Uma gratidão eterna.
Que Deus abençoe e ajude na restauração da vida e do casamento de todos vocês.
Roosevelt
roosevelt@focusac.com.br>
.jpg)
Preciso de ajuda mas não sei como entrar em contato com vcs!! Vou deixar meu contato de watts 67 99674-0543
ResponderExcluir